Sexta-feira, Maio 08, 2009

A morte é o fim da vida?

O resultado da enquete feita com a pergunta do título deste post foi:

 

Sim. 2 (22%).

 

Não. 4 (44%).

 

Não sei. 0 (0%).

 

Pode ser. 1 (11%).

 

Não quero nem saber. 2 (22%).

 

Novamente agradeço aos que participaram. E peço desculpas pela demora na apuração. É que este é um calar que não consigo deixar de me perguntar sempre. Eu, pessoalmente, não respondi a enquete. Mas se fosse responder, responderia que não queria nem saber. O problema é que isso é impossível... Enquanto isso, continuarei a me calar toda vez que a pergunta soar.

 

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Agonias

Hoje (logo mais), meu time jogará mais uma partida decisiva de sua história. Essa semana, um amigo meu completará trinta anos. Ano que vem, a maioria dos meus amigos de infância, anjos sem asa astros do rock e de demais presepadas, completará também trinta anos. No final do ano que vem eu completarei trinta anos.

 

Minha conta corrente está mais de três dígitos negativa. Por responsabilidade minha, mas não por irresponsabilidade minha. Formatei meu disco rígido e perdi mais de seis meses de fotografias e vídeos familiares. Por responsabilidade minha, e também por negligência. Um profissional da tecnologia da informação como eu nunca poderia fazer operações arriscadas com uma máquina, sem antes fazer as cópias de seguranças necessárias dos arquivos vitais. Há algum tempo que todo o santo o dia eu não deixo de pensar no dia em que eu vou morrer, nos dias em que meus filhos nascerão e naquilo que estarei fazendo para ganhar a vida, tanto econômica como espiritualmente. Ainda não fiz vinte e nove, mas Saturno tem cochichado alto em meus ouvidos, reclamando de mim a vida que tive até aqui e a vida que terei até sua outra volta.

 

A vida do indivíduo moderno é de pura agonia. Hoje entendo porque tanta gente sucumbe deprimida. São muitas as coisas com risco de se perderem. São muitos os medos. Se o indivíduo não tem uma certa estrutura, entra em pane. No entanto, no entanto, não me imaginaria vivendo em outras eras, menos agonizantes, porém, com menos ciência e ciências. Viver todos os dias plantando e dando parte do que é produzido a qualquer que um que se outorgou rei pelo fio da espada e viver todas as noites rezando e esperando o juízo final, para cuidar da alma, meu único bem, já que o corpo nunca me pertenceu? Não concebo. Assim como não concebo, ainda nos dias de hoje, os homens viverem como aqueles dos tempos medievais, degolando, empalando e incinerando seus semelhantes, sem o menor respeito a Deus, a Saturno ou a qualquer quem seja que tenha criado a vida. Até tenho meios para entender esses processos, mas me recuso a entender, me recuso a crer que algum ser humano seja capaz de cometer tamanhas monstruosidades. Um certo "churrasquinho no presídio" que circulou pela infovia atormentou meu sono por esses dias.

 

Acho que já sei o que direi a Saturno quando ele chegar. Direi a ele que não quero mais ser rico, como quis quando não tinha nem dez anos. Só não quero um tracinho antes do valor da minha conta, para eu poder trazer um mínimo de bem estar aos meus familiares. Direi a ele que não quero pompas, nem glórias, nem diplomas, nem troféus ou medalhas de ouro. Apenas quero fazer aquilo que gosto, fazer o melhor que eu puder sempre e sempre poder superar meus próprios limites. Direi a ele que encontrei o meu caminho (ou acho que encontrei) e que desde já aqui existe um homem preparado para ser feliz, apesar da certeza de que um dia desaparecerá e, bem provável, sem conseguir deixar uma marca eterna neste mundo que também desaparecerá. Sim, eu sei, ele também sabe, este é um caminho de riscos. Mas para mim está mais do que provado que viver é se arriscar.

 

Assim como o meu time, também jogo partidas decisivas da minha história. Apenas me parece que, daqui para frente, serei eu que jogarei mais partidas decisivas do que o meu time, praticamente uma em cada dia da minha vida.

 

Enquanto vamos, enquanto vou, pelo menos hoje (ou logo mais), quando surgir o meu alviverde imponente naquele gramado que a luta o aguarda, nenhuma outra agonia da minha vida será mais importante do que esta partida. Avanti Palestra!

 

Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

blasfemando

Fique tranquilo! Arrependa-se de seus pecados e creia que Deus Pai Todo-Poderoso o ressuscitará e o trará para viver a Eternidade junto de Si. Não há o que fazer!

 

Ficar tranquilo? Arrepender-se é o de menos. Demais é viver assim: morrendo de medo de morrer e torcendo para ser ressuscitado no final!

 

Afinal, viver a Eternidade fazendo o quê?

 

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Você frequenta este blog por quê?

O resultado da enquete feita com a pergunta do título deste post foi:

 

Porque sou camarada do autor. 1 (11%).

 

Porque gosto dos textos aqui publicados, apesar de não conhecer o autor. 3 (33%).

 

Não frequento este blog. Caí aqui de pára-quedas e não pretendo voltar. 4 (44%).

 

Outro motivo. 1 (11%).

 

Meu muito obrigado aos que participaram. Mesmo àqueles que não voltarão mais.

 

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

O retorno de Saturno

"E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver"
("Vinte e Nove" - Renato Russo)

Não sei quando foi que eu ouvi, mas ouvi que quando se está perto dos 29, quando Saturno está perto de estar onde esteve no momento em que se nasce, a nossa vida passa por profundas transformações. Ainda faltam 9 meses para eu reencontrar Saturno e ainda ontem me perguntaram o que eu esperava da minha vida. Engoli seco.

Um dia desses, ouvia um menino, que acabara de se sagrar campeão de futebol júnior, contar como foi a sua história até chegar ali, e fui remexer minhas memórias, da época em que eu também tentei ser como o menino. Mexi naquele dia em que fui jogar minha primeira partida nas categorias de base, quando o técnico me perguntou: "Ivo, você joga no gol?". O time estava sem goleiro e minha mãe denunciou que eu gostava de jogar de goleiro. Só que eu queria era jogar na linha.

Às vezes penso que Deus é um artista. Ele faz arte com as nossas vidas - aliás, a Criação é Sua principal. E às vezes penso que Deus é um velhaco! - pois inventa de fazer ironias com a minha vida. Durante todas as partidas nos campos de futebol imaginários da minha infância, eu fui o camisa 8 do Palmeiras, mas nos campos de várzea por onde joguei, o que cheguei a ser foi o camisa 1... do Corinthians.

Que inveja do menino! Que arrependimento! Por que eu não disse não ao técnico? Por que eu não imaginei que não passaria dos cento e sessenta e cinco centímetros? Hoje, a lateral-esquerda da Seleção está vaga, ela poderia ser minha! Na verdade, na verdade, poderia ser qualquer lateral-esquerda, que hoje eu seria feliz...

O que eu espero da minha vida? Saturno está chegando para me dizer que acabaram os sonhos. Que o remorso é opcional. E que a felicidade é sentir as emoções, mesmo as mais doídas. Na verdade, na verdade, em todos os campos da minha vida, eu fui feliz. É verdade, também, que eu nunca sonhei em ser analista de sistemas, muito menos sonhei ficar subvertendo tudo por que passo, mas eu não escolho não ter vivido tudo o que vivi, não ter sonhado tudo o que sonhei.

Não sei se os sonhos acabaram, como me diz Saturno, mas concordo com ele quando me diz que a minha vida é para os que virão. Eles é que esperam algo dela agora.

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

As mãos que não se lavaram - II

Continuação de As mãos que não se lavaram - I

 

Disse que era, porque quem dizia era um sonho. Acabara de acordar. O filme onírico ainda passava pelas minhas retinas, enquanto esfregava os olhos e me espreguiçava. Deus do Céu, um sonho! Mas parecia real, assustadoramente real! O que seria de tudo se Pilatos deveras tivesse poupado Jesus da cruz? Mal terminara de mentalizar a questão, quando percebi que algo estava errado. Eu não estava ali. Eu não estava ali onde eu deveria estar. Eu não sabia onde estava.

 

Na verdade, eu estava deitado numa espécie de rede, dentro de uma espécie de oca, pequena. E estava, também, quase nu. Apenas vestia algumas peles, que cobriam algumas partes de meu corpo. Saí da oca. Era uma praia. O céu estava sem nuvens. O sol devia ter nascido há pouco mais de uma hora. Fazia calor. O que estou fazendo aqui? Cadê o hotel em que estava hospedado? Cadê a gente da cidade, os turistas? Para onde foi todo mundo? Por que não vejo as ruas? Por que não vejo rua alguma? Estou sonhando, só pode ser, estou sonhando!

 

Não sei com que força eu me esmurrei. Só sei que cuspi sangue. E uns dois dentes. Depois chorei, chorei, chorei. Não pela dor dos meus murros, mas por eu não ter acordado, ou melhor, por já estar acordado. Caí em prantos. Esmurrei o chão não sei por quanto tempo. Só sei que adormeci de desespero.

 

(continua mais tarde)

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Órfão

- Menino, por que estás tão angustiado pela questão se Jesus é humano ou divino? Acaso não tens fé?

 

- Tenho, mas se Jesus foi humano...

 

- Ora, se tens fé, por que a angústia?

 

- Mas se os próprios bispos do Concílio de Nicéia tinham a dúvida...

 

- Ora, se tens fé, moverás qualquer montanha!

 

- Eu tenho fé! Mas não posso ter dúvidas! Sempre quis ter um pai, e quando consigo, finalmente... Não posso perde-lo! Não posso! Não posso! Não quero!